sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Blogagem Coletiva Há Amor em Mim, eu também estou participando!
Eu também estou participando dessa corrente de amor que Elaine Gaspareto, espalhou pelo ar, o prazo foi prorrogado até dia 01/10 e estou aqui participando e abrindo um pouco de como a minha mãe me ensinou a amar. Nesse aprender a amar que é constante e contínuo e não precisa de tantos abraços para existir, mas nem sempre entendemos o quanto estamos sendo amados e exigimos provas concretas, eheh.
Um amor que é tão único em cada um, que muitas vezes a gente prende e desprende da forma errada, com posses, exigências, egoísmos, ou até necessidade de espelhos para refletir.. até aprender...que esse amor, saindo de nós é a forma mais livre e pura do nosso ser, que através dele, nós somos mais felizes, esse amor que deverá começar por nós e em nós mesmos. Perdi meus pais, muito cedo e fui criada pela minha "mãe" que era madrinha e prima. Éramos cinco filhos. Minha mãe, pessoa muito moderna para época dela, cursou faculdade e era professora, de temperamento muito enérgico. Não permitia muitos afagos. Com seis anos, eu queria muito ter um bichinho de estimação, adorava ir na casa da vizinha que tinha muitas galinhas, lá, eu tinha uma galinha japonesa como animal de estimação, depois surgiram os coelhinhos entre tantos de olhos vermelhos, nasceu um de olho azulão, todo branquinho, parecia uma bolinha de neve. Minha mãe aceitou que eu o pegasse, com a condição de que eu mantivesse o lugar dele, extremamente limpo. O coelhinho fazia muita sujeira, hehe e eu limpava todos os dias, quando chovia, eu o enrolava num pano e cantava prá ele, pois achava que ele ficaria muito triste com a chuva e os dias cinzentos, eu amava muito o "bolinha" e hoje penso que minha mãe me ensinou a amar através daquele bichinho, pois quem ama, cuida. Porém, um dia, o coelhinho apareceu morto, uma raposa tinha dado um fim na vida dele, a dor foi terrivel, percebi que minha mãe sofria também, me deu a mão e me contou que quando criança tinha perdido um papagaio da sua estimação, me senti compreendida naquele momento e próxima dela, que era tudo que eu sempre queria. Um animalzinho, funciona com uma ponte pela qual criamos coragem de transpor várias barreiras que nos impedem demonstrar o quanto amamos. Saí de casa aos 18 anos e fui estudar fora, a relação de carinho com minha mãe sempre foi muito travada. Hoje, sei que muitos abraços ela me deu, mas de outras formas, não as minhas, mas as dela. Eu tinha todo o amor do mundo e não enxergava esse amor, acabei me fechando. Fiz a minha vida longe de casa e quando ela ficou doente, muito jovem, 69 anos com Alzheimer, tirei minhas férias para cuidar dela, minha mãe parecia um robô com a doença, ficou hiperativa e não conseguia dormir, queria caminhar 24 horas por dia, o esquecimento era total, aí me ocorreu de cantar as músicas que ela nos ensinava quando crianças e qual foi minha surpresa quando vi que ela lembrava, então, nós caminhávamos pela casa, sem parar, cantando... aos poucos eu comecei a chamar sua atenção para os que estavam ao redor e perguntava como estavam vestidos, ela não poderia olhar no momento que estava me dizendo, e através dessa brincadeira, criamos uma interação, rezávamos, ela lembrava das orações e começou a relaxar mais. Nesses momentos, dei-me conta mais uma vez que minha mãe veio pra me ensinar a amar, e me permitiu demonstrar todo o amor que eu sentia por ela, como sempre quiz fazer. Como eu trabalhava, as férias acabaram e tive que voltar para minha cidade, logo após minha mãe entrou em coma e veio a falecer. Na época, a dor foi muito grande, mas compreendi que selamos o amor latente de uma vida inteira. E esse amor permanece comigo quando lembro do quanto a vida é rápida e o quanto precisamos amar e ajudar as pessoas a amarem, simplesmente amando, pois é a nossa forma mais bonita de ser.
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